sábado, 6 de novembro de 2010

PRIORITÁRIOS OU NÃO?

ATENDIMENTO PREFERENCIAL E PRIORITÁRIO

       Constantemente somos expostos à diversas situações desagradáveis devido ao conflito de interesses, o simples fato de sair de casa nos garante presenciar bate bocas que, não raramente, acabam tornando-se agressões físicas. Porém o que mais tem me chamado a atenção ultimamente é a falta de sensibilidade de algumas pessoas, estamos na era do "eu mais eu que é igual a mim mesmo". Os compromissos, o stress, o atraso, enfim, o modelo de vida atual - ou o preconceito mesmo - tem levado a população a dizer absurdos que não deveriam nem ser pensados, quanto mais verbalizados.
       Locais certos dessas ocorrências são os ônibus e bancos, e as principais vítimas são os deficientes, idosos, pessoas com criança de colo, gestantes, ou seja, os que deveriam ter alguma preferência. Presenciei algumas situações que eu não gostaria de compartilhar com vocês, mas vou mesmo assim, pode ser uma chance de refletirmos a que ponto chegamos.
       Um fato que facilitou bastante a locomoção dos cadeirantes foi a adaptação ocorrida nos ônibus, pelo menos em alguns, mas o que deveria ser encarado como uma conquista (não só para os deficientes, mas para toda a sociedade) acaba tornando-se um festival de agressões. Certa vez estava num ônibus e o motorista desceu para manusear o aparelho que faz com que o degrau se transforme em uma espécie de plataforma, uma jovem cadeirante estava para subir, esse processo leva em média cinco minutos. Eis que surge o comentário de um grosso que estava em pé a meu lado e deveria estar indo tirar o pai da forca: "Se soubesse pegava o outro ônibus!", é o tipo de situação em que você (ou pelo menos eu) não consegue ficar calado. Tendo em vista o nível de educação do sujeito, não falei diretamente com ele, mas puxei assunto com o senhor que estava sentado comigo. Comecei, é claro, com a frase: "É incrível como tem gente insensível nesse mundo..." e prosseguimos numa conversa sobre as diversas situações que já presenciamos à esse respeito, espero que o dito cujo tenha refletido à respeito. Porém a frase mais célebre é: "Por que não vai de táxi?!"Óbvio, o táxi é bem mais barato que o ônibus, com certeza a pessoa vai de ônibus porque gosta de sofrer mesmo! E imagino que a maioria das respostas pensadas para tal absurdo deve ser: "Seria ótimo! Assim eu não teria que conviver com pessoas ignorantes como você!"
       Uma ocasião que chegou a ser engraçada foi quando entrou um rapaz no ônibus com um bebê no colo e ninguém se prontificou em ceder o lugar, quando o cobrador se manifestou dizendo que o ônibus não andaria até que o rapaz se acomodasse com a criança, uma moça indignada falou: "Me dá ele que eu seguro, eu não vou dar meu lugar pra um homem!" Como assim?! Já que é um homem que tá segurando o bebê ele pode se estabacar no chão com a criança?! E isso se estende à algumas instituições bancárias: "Caixa preferencial: Deficientes físicos, idosos, gestantes e MULHERES com criança de colo". Afinal, onde foi parar o nosso bom censo?
       Devemos ter um pouco mais de compreensão quanto às necessidades do próximo, pois "o próximo", cedo ou tarde, seremos nós.
 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

JHOW & ME

   Ele chegou numa noite chuvosa, fria, típica noite dos filhotes rejeitados. Aliás, creio que as pessoas deveriam conferir as condições meteorológicas antes de abandoná-los, mas de repente isso seja proposital. Ouvi choros, resmungos e desespero misturados ao som da chuva e fui conferir o que era, precisei de uns cinco minutos para reconhecer o ser, era um misto de cachorro, rato, E.T. e algo mais que não identifiquei. Um "raça indefinida", literalmente.
   Não é porque eu o amava que não posso dizer que ele era feio, pois ele era, porém com o tempo isso passa. Não que ele tenha se tornado lindo, mas "quem ama o feio, bonito lhe parece". Com todas essas peculiaridades o batismo veio fácil, Jhow! (Nem sei se é assim que se escreve, mas sou brasileira, o filho é meu e eu o registro como quiser!) Óbvio que ele tinha sobrenome, Jhow trô Mundo era seu nome completo, e nada poderia traduzí-lo melhor. Quando o adotei tinha dias de nascido, aproximadamente 10 cm, a cabeça maior que o corpo, o olho maior que a cabeça e cerca de 100 pulgas e 50 carrapatos por cm². Mesmo assim foi amor à primeira vista.
   Durante quatro anos pude conviver com o melhor amigo que já tive, uma coisa é certa sobre os cachorros, eles sempre estão dispostos a ouvir e mesmo que não concordem, não censuram. Meu grande amigo se foi e a maior lição que aprendi com ele é que amigos não se compram, não se escolhem por raça ou cor, e que a adoção é benéfica pra ambas as partes.
   Isso me fez pensar nas ações que temos, mesmo que inconscientemente. Após a grande repercussão do livro, e posteriormente do filme "Marley e eu", a procura por cães labradores aumentou consideravelmente. Entramos então em um grande problema, as fábricas de animais, locais destinados a reprodução sem considerar o bem-estar e vida desses animais, o pior é que isso nem chega a ser uma surpresa vindo da "espécie superior". E isso costuma piorar, continuemos com os labradores, filhotes fofinhos que crescem, aliás crescem muito e se tornam brutos (eu não disse violentos), grandes e desajeitados, um "problema" pra quem tem crianças menores em casa. E a solução que muitos encontram é abandoná-los à própria sorte nas ruas, afinal é só um cachorro!
   Não podemos comprar amigos, devemos conquistá-los. Muitas vezes eles batem à nossa porta e não os reconhecemos, perdendo às vezes a chance de conhecer uma amizade verdadeira. Deixo registrado aqui todo meu amor e respeito por esse rapaz, que será sempre lembrado pelos membros da família de que fez parte, principalmente quando relembrarmos um dos momentos mais importantes da vida de meu filho, sua primeira palavra... Jhow!


terça-feira, 28 de setembro de 2010

POR QUE SER VEGETARIANO?

    Sempre tive certa resistência quanto à consumir carne,  principalmente animais de pequeno porte, que levam à sensação clara de estar comendo um ser semelhante. Porém o vegetarianismo só se concretizou em minha vida aos 22 anos, o fato determinante foi assistir ao vídeo "A carne é fraca" do Instituto Nina Rosa. Hoje não sei responder ao certo por qual motivo me tornei vegetariana, pois são diversos: pelos animais, por minha saúde, pelo meio ambiente? Creio que por todos!
    "Mas isso é natural, é a cadeia alimentar! Somos carnívoros por natureza!" Não, não somos! Você nunca reparou que não é um predador natural?! Que não possui capacidade física natural para a caça?! Caçamos com uma única arma: nossa capacidade intelectual. Inventamos, ao longo do tempo, utensílios e tecnologias para o abate.
    Certa vez li em "Alimentação vegetariana: Chega de abobrinha!", que tem como autor o Mestre DeRose, dois testes que considero sensacionais e determinantes, são simples e podem ser perfeitamente reproduzidos científicamente. No primeiro você deve colocar um boi e um homem (desprovido de qualquer utensílio que o auxilie no feito) em um local fechado e pedir que o "ser humano predador" abata sua presa. O máximo que o indivíduo consegue é uma bela chifrada, ou não, se o boi for piedoso. O segundo é menos violento, deixe uma criança sozinha com uma maçã e um coelho. Será que ela come o coelho e brinca com a maçã?!
    O fato é que não nascemos carnívoros, aprendemos a ser. A sociedade em que vivemos nos impõe isso, a gostar de consumir matéria em decomposição, carniceiros como os urubus, mas a vida é feita de escolhas, o tão falado livre arbítrio.
    Hoje só posso pedir desculpas por todos os assassinatos com que compactuei durante 22 anos, acreditando estar mantendo a minha vida. Agora eu sei que minha vida não depende da morte de meus irmãos.