Constantemente somos expostos à diversas situações desagradáveis devido ao conflito de interesses, o simples fato de sair de casa nos garante presenciar bate bocas que, não raramente, acabam tornando-se agressões físicas. Porém o que mais tem me chamado a atenção ultimamente é a falta de sensibilidade de algumas pessoas, estamos na era do "eu mais eu que é igual a mim mesmo". Os compromissos, o stress, o atraso, enfim, o modelo de vida atual - ou o preconceito mesmo - tem levado a população a dizer absurdos que não deveriam nem ser pensados, quanto mais verbalizados.
Locais certos dessas ocorrências são os ônibus e bancos, e as principais vítimas são os deficientes, idosos, pessoas com criança de colo, gestantes, ou seja, os que deveriam ter alguma preferência. Presenciei algumas situações que eu não gostaria de compartilhar com vocês, mas vou mesmo assim, pode ser uma chance de refletirmos a que ponto chegamos.
Um fato que facilitou bastante a locomoção dos cadeirantes foi a adaptação ocorrida nos ônibus, pelo menos em alguns, mas o que deveria ser encarado como uma conquista (não só para os deficientes, mas para toda a sociedade) acaba tornando-se um festival de agressões. Certa vez estava num ônibus e o motorista desceu para manusear o aparelho que faz com que o degrau se transforme em uma espécie de plataforma, uma jovem cadeirante estava para subir, esse processo leva em média cinco minutos. Eis que surge o comentário de um grosso que estava em pé a meu lado e deveria estar indo tirar o pai da forca: "Se soubesse pegava o outro ônibus!", é o tipo de situação em que você (ou pelo menos eu) não consegue ficar calado. Tendo em vista o nível de educação do sujeito, não falei diretamente com ele, mas puxei assunto com o senhor que estava sentado comigo. Comecei, é claro, com a frase: "É incrível como tem gente insensível nesse mundo..." e prosseguimos numa conversa sobre as diversas situações que já presenciamos à esse respeito, espero que o dito cujo tenha refletido à respeito. Porém a frase mais célebre é: "Por que não vai de táxi?!"Óbvio, o táxi é bem mais barato que o ônibus, com certeza a pessoa vai de ônibus porque gosta de sofrer mesmo! E imagino que a maioria das respostas pensadas para tal absurdo deve ser: "Seria ótimo! Assim eu não teria que conviver com pessoas ignorantes como você!"
Uma ocasião que chegou a ser engraçada foi quando entrou um rapaz no ônibus com um bebê no colo e ninguém se prontificou em ceder o lugar, quando o cobrador se manifestou dizendo que o ônibus não andaria até que o rapaz se acomodasse com a criança, uma moça indignada falou: "Me dá ele que eu seguro, eu não vou dar meu lugar pra um homem!" Como assim?! Já que é um homem que tá segurando o bebê ele pode se estabacar no chão com a criança?! E isso se estende à algumas instituições bancárias: "Caixa preferencial: Deficientes físicos, idosos, gestantes e MULHERES com criança de colo". Afinal, onde foi parar o nosso bom censo?
Devemos ter um pouco mais de compreensão quanto às necessidades do próximo, pois "o próximo", cedo ou tarde, seremos nós.

