terça-feira, 5 de outubro de 2010

JHOW & ME

   Ele chegou numa noite chuvosa, fria, típica noite dos filhotes rejeitados. Aliás, creio que as pessoas deveriam conferir as condições meteorológicas antes de abandoná-los, mas de repente isso seja proposital. Ouvi choros, resmungos e desespero misturados ao som da chuva e fui conferir o que era, precisei de uns cinco minutos para reconhecer o ser, era um misto de cachorro, rato, E.T. e algo mais que não identifiquei. Um "raça indefinida", literalmente.
   Não é porque eu o amava que não posso dizer que ele era feio, pois ele era, porém com o tempo isso passa. Não que ele tenha se tornado lindo, mas "quem ama o feio, bonito lhe parece". Com todas essas peculiaridades o batismo veio fácil, Jhow! (Nem sei se é assim que se escreve, mas sou brasileira, o filho é meu e eu o registro como quiser!) Óbvio que ele tinha sobrenome, Jhow trô Mundo era seu nome completo, e nada poderia traduzí-lo melhor. Quando o adotei tinha dias de nascido, aproximadamente 10 cm, a cabeça maior que o corpo, o olho maior que a cabeça e cerca de 100 pulgas e 50 carrapatos por cm². Mesmo assim foi amor à primeira vista.
   Durante quatro anos pude conviver com o melhor amigo que já tive, uma coisa é certa sobre os cachorros, eles sempre estão dispostos a ouvir e mesmo que não concordem, não censuram. Meu grande amigo se foi e a maior lição que aprendi com ele é que amigos não se compram, não se escolhem por raça ou cor, e que a adoção é benéfica pra ambas as partes.
   Isso me fez pensar nas ações que temos, mesmo que inconscientemente. Após a grande repercussão do livro, e posteriormente do filme "Marley e eu", a procura por cães labradores aumentou consideravelmente. Entramos então em um grande problema, as fábricas de animais, locais destinados a reprodução sem considerar o bem-estar e vida desses animais, o pior é que isso nem chega a ser uma surpresa vindo da "espécie superior". E isso costuma piorar, continuemos com os labradores, filhotes fofinhos que crescem, aliás crescem muito e se tornam brutos (eu não disse violentos), grandes e desajeitados, um "problema" pra quem tem crianças menores em casa. E a solução que muitos encontram é abandoná-los à própria sorte nas ruas, afinal é só um cachorro!
   Não podemos comprar amigos, devemos conquistá-los. Muitas vezes eles batem à nossa porta e não os reconhecemos, perdendo às vezes a chance de conhecer uma amizade verdadeira. Deixo registrado aqui todo meu amor e respeito por esse rapaz, que será sempre lembrado pelos membros da família de que fez parte, principalmente quando relembrarmos um dos momentos mais importantes da vida de meu filho, sua primeira palavra... Jhow!


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